CIDADE: NOSSA CASA, NOSSO CHÃO, NOSSO PÃO

A floresta, o folclore, a música, a dança, o som... As expressões! Assim vejo a metrópole aonde vivo. Aliás, sobrevivo! Até porque - parece não ser - se ver, se escuta, se canta, se dança de muitas formas dentro dessa linguagem que chamamos "cidade".
Por alguns ângulos percebo o quanto é possível olhar a grande Belém de uma forma diferente, desconsiderando os sons que fluem tão exacerbadamente em conseqüência da agitação do trânsito, do corre-corre das pessoas, das preocupações e dos medos... E de tantas e infinitas formas do soar da cidade vítima - claro - do crescimento populacional!
Olho Belém com o olhar de quem só vê a paisagem de um vilarejo com suas ruas enfeitadas pelas mangueiras que dão frutos duas vezes ao ano nas duas únicas estações: "Pouca chuva e Chuva"; ouço o som dos insistentes periquitos da praça da Basílica todos os dias às seis, voltando para seus ninhos, felizes depois de um dia cheio; contemplo nesse vilarejo de mais de trezentos anos a arquitetura lusa da cidade velha misturada com o pôr-do-sol mais bonito do mundo às margens da Baía do Guajará de baixo da mangueira que fica atrás da casa das onze janelas e - se der tempo - ainda tomo um tacacá para "refrescar" a vontade do gosto tão famoso de séculos idos!
Daí, pois bem! A Belém que a gente gosta de ver, de ouvir, de sentir e de contemplar: A cidade que é o nosso chão! Que pena que poucos cultivam tão maravilhosa "Belémza".
Mas, mesmo que quase abandonada, nossa cidade pode ser a melhor do mundo se a considerarmos verdadeiramente como a nossa Oca, nossa Casa, "Nosso Pão", cuidando - claro - para que nunca possa morrer a visão desse ângulo que ora cultivamos no amor que sentimos por essa cultura impregnada em nossa alma, por essa Cidade que é, também, a alma de nossas vidas, a Belém que queremos, valorizando o que temos e preservando o que construímos.
Olho a Cidade com essa visão diferente... E se todos os que moram aqui puderem desviar sua atenção para o que ela nos oferece de bem, certamente todos os meios poluentes que possuímos teriam um lugar com o mínimo destaque e assim diríamos aos nossos filhos: Amem a Cidade que te cuida! Cuide da Cidade que você aprende a amar todos os dias!

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