Muitos de nós somos surpreendidos por "traumas". O que é um trauma? Segundo o dicionário trata-se de algo provocado por um meio violento que afeta um determinado órgão do corpo humano. Diz-se, deveras, que uma pessoa sofreu "traumatismo craniano" conseqüência de uma violenta batida, seja de acidente auto-motivo, ou um outro tipo de acidente.
Na psicologia um "trauma" ocorre quando a pessoa sofre uma decepção, a perda de alguém especial, desencontros e desentendimentos, enfim, situações que causam na pessoa uma mudança de comportamento e conseqüentemente afeta a própria coerência, a própria capacidade de raciocínio e os afetos se tornam - em certo sentido - "vulneráveis".
Acredito que as sociedades humanas sofrem com esse tipo de problema. Não sou psicólogo, mas estudei um pouco de cada realidade humana e a leitura que faço - de uma forma ampla - é de que o ser humano é vítima de muitos traumas, causados, certamente, por situações que envolvem o aspecto social - de convivência -, o aspecto afetivo - das relações de convivência - e econômico - do produto acima do humano -. Existe, creio, um complexo contexto humano, em tempos atuais, que cega nossa razão e nossa consciência.
Algumas vezes, quem sabe, não conseguimos organizar nossa relação conosco mesmos e acabamos construindo cercas elétricas, muros, delimitando o espaço necessário para a boa convivência. Temos medo do outro e desconfiamos da capacidade que temos de saber nos relacionar com o diferente. Os traumas psicológicos, acredito, são resultados de nossa má fé e de nossa angústia em relação ao outro. Decepções são reais e sempre existirão. Bom será quando soubermos aprender com os nossos erros e com os erros dos outros, quando soubermos conviver com nossas limitações e, ao invés de construirmos muros com cercas elétricas, saibamos construir pontes de perdão, reconciliação e amor.
Um psicólogo certamente saberá definir com maior exatidão o que é um trauma. Mas, uma coisa é certa: os traumas crônicos, isto é, aqueles que fazem sofrer cada vez mais uma pessoa que não consegue ser feliz e não consegue sair de si mesma e ir ao encontro da receita certa da felicidade, só serão realmente destruídos quando formos solidários com essas pessoas e a humanidade - ao invés de construir armas - souber "construir a pessoa humana" em sua integridade, formando-a para o bem e a felicidade.
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